O IFRS 16, emitido pelo IASB, continua a transformar a forma como contratos rurais são contabilizados, especialmente no contexto das parcerias agrícolas. Em 2024, o desafio das empresas agro não se limita à conformidade: a norma impacta indicadores financeiros, altera métricas de rentabilidade e exige sistemas de gestão mais robustos.
Principais impactos do IFRS 16 no agronegócio
- Reconhecimento de ativos biológicos: A norma deve ser aplicada em conjunto com o IAS 41, tratando de plantações, rebanhos e outros ativos típicos do setor. A contabilização correta garante maior transparência patrimonial.
- Identificação de ativos arrendados: Terras, maquinário e instalações devem ser desagregados nos contratos, com custos alocados individualmente. Isso evita distorções em relatórios e análises de rentabilidade.
- Ciclos agrícolas e prazos de arrendamento: A norma exige considerar expectativas de renovação, alinhando o contrato contábil à realidade dos ciclos agrícolas, que frequentemente ultrapassam o prazo formal dos contratos.
- Despesas variáveis: Custos como irrigação, fertilização e tratamento de cultivos precisam ser avaliados quanto à sua vinculação ao ativo arrendado, determinando se devem ou não ser incluídos no passivo reconhecido.
- Métricas financeiras: Empresas agrícolas passaram a registrar maiores ativos e passivos, o que altera índices como EBITDA, ROA e endividamento. A adaptação de indicadores internos é fundamental para não gerar interpretações equivocadas.
Formas de pagamento nas parcerias agrícolas
No Brasil, a particularidade das parcerias agrícolas está também na forma de remuneração. Diferente de contratos tradicionais de aluguel, os pagamentos podem ocorrer em produtos ou métricas específicas do setor.
- Pagamento em sacas: Usado em soja, milho e trigo. A quantidade é negociada conforme a produtividade e qualidade da safra. Flexível, mas exige controle rigoroso no reconhecimento contábil.
- Pagamento via ATR (Açúcar Total Recuperável): Na cana-de-açúcar, a métrica calcula a sacarose recuperável, vinculando remuneração à qualidade da matéria-prima.
- Consecana: Em São Paulo, a entidade define fórmulas padronizadas para precificação da cana, considerando fatores climáticos, custos de produção e qualidade da safra.
Esses métodos demandam parametrização cuidadosa em sistemas ERP para refletir corretamente o valor presente dos contratos.
Pagamentos a múltiplos donos e rateio de custos
As parcerias agrícolas frequentemente envolvem mais de um proprietário ou investidor, exigindo regras claras de divisão.
- Rateio Proporcional: remuneração e custos distribuídos conforme participação em terra, capital ou insumos.
- Contratos Específicos: formalizam responsabilidades e reduzem conflitos.
- Rateio de Custos Operacionais: insumos, mão de obra e maquinário podem ser rateados por área plantada ou volume produzido.
- Sistemas Integrados: ERPs com módulos de IFRS 16 (como SAP) permitem automatizar alocação de custos e pagamentos.
Adaptações necessárias em 2024
Para lidar com essas nuances, as empresas precisam:
- Mapear todos os contratos agrícolas (arrendamentos e parcerias).
- Separar componentes fixos e variáveis, registrando apenas a parcela mínima garantida como passivo de arrendamento.
- Automatizar cálculos e relatórios, reduzindo risco de erros e retrabalho.
- Treinar equipes multidisciplinares (financeiro, jurídico e agrícola) para avaliar impacto contábil em negociações.
- Comunicar aos stakeholders os efeitos da norma, ajustando indicadores e projeções.
A solução da MakeValue
A MakeValue desenvolveu uma solução certificada para SAP que facilita a gestão de contratos agrícolas sob IFRS 16.
- Reconhecimento automático de ativos de uso e passivos.
- Parametrização para pagamentos em sacas, ATR e Consecana.
- Rateio de custos integrado para múltiplos proprietários.
- Dashboards em tempo real para acompanhamento de métricas.
- Redução de até 90% no tempo de fechamento contábil mensal.
O IFRS 16 no agronegócio em 2024 exige que empresas adaptem seus processos para refletir com precisão obrigações e direitos nos contratos agrícolas. Com sistemas especializados, é possível transformar o desafio em oportunidade, usando dados mais transparentes para melhorar decisões estratégicas e atrair investidores.
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