As regras contábeis para arrendamentos passaram por mudanças significativas com a adoção da IFRS 16, norma que substituiu modelos anteriores e unificou o tratamento dos contratos de leasing.
O que antes era separado entre leasing financeiro (registrado no balanço) e leasing operacional (reconhecido como despesa), agora passa a ter um modelo único para os locatários — impactando diretamente os ativos, passivos e indicadores financeiros das empresas.
Para garantir compliance contábil e manter a credibilidade financeira, é fundamental que os gestores entendam as diferenças entre os tipos de contrato e saibam como aplicar corretamente as diretrizes da norma, especialmente no ambiente SAP.
Entenda as diferenças entre leasing financeiro e leasing operacional
Antes de abordar os impactos da IFRS 16, é essencial esclarecer as características dos dois modelos tradicionais de arrendamento, ainda usados como base para análise de risco e estrutura contratual:
Leasing Financeiro
- Transfere substantivamente todos os riscos e benefícios da posse do ativo ao locatário.
- Normalmente inclui cláusula de opção de compra ao final do contrato.
- O valor presente das contraprestações representa a maior parte do valor do bem.
- Pode haver um valor residual garantido para garantir o retorno do ativo ao locador.
Leasing Operacional
- Não transfere os riscos e benefícios de forma substancial.
- Não há previsão de compra do bem ao final do contrato.
- As contraprestações não ultrapassam 90% do valor do bem.
- Geralmente, os pagamentos englobam serviços agregados, como manutenção.
- Não há valor residual garantido pelo locatário.
Essas distinções ainda são importantes para fins contratuais, mas do ponto de vista contábil, a IFRS 16 iguala o tratamento de ambos para quem aluga os ativos.
O que muda na contabilidade com a IFRS 16
Antes da norma, o tratamento era assim:
- Leasing financeiro: ativo e passivo no balanço;
- Leasing operacional: reconhecido apenas como despesa mensal na DRE.
Com a IFRS 16 (CPC 06 R2), essa lógica muda. Todos os contratos com direito de uso de um ativo por prazo determinado passam a ser reconhecidos no balanço patrimonial do locatário.
A mudança não é apenas técnica — ela altera profundamente indicadores como EBITDA, endividamento, retorno sobre ativos e patrimônio líquido.
Como fica o reconhecimento contábil do arrendamento:
- Ativo de direito de uso: representa o valor do bem “emprestado” ao longo do contrato.
- Passivo de arrendamento: representa o compromisso financeiro futuro com o arrendamento.
A partir da assinatura do contrato, o locatário deve reconhecer ambos no balanço, mesmo que não haja intenção de compra do bem.
Detalhamento técnico: contabilização passo a passo
Reconhecimento Inicial
O ativo de direito de uso e o passivo de arrendamento devem ser reconhecidos na data de início do contrato.
Mensuração Inicial
O ativo é mensurado com base no custo inicial:
- Valor presente dos pagamentos mínimos;
- Pagamentos realizados antecipadamente;
- Custos diretos iniciais.
O passivo é mensurado pelo valor presente das obrigações futuras, descontado com base na taxa implícita no contrato (ou, se não houver, na taxa incremental de financiamento da empresa).
Despesas e depreciação
- O ativo de direito de uso é depreciado ao longo do contrato.
- O passivo gera uma despesa financeira reconhecida como juros.
Dessa forma, o impacto deixa de ser apenas operacional (como aluguel) e passa a ter efeitos sobre a estrutura financeira da empresa.
Implicações práticas: o que sua empresa precisa considerar
A adoção da IFRS 16 afeta muito mais do que os relatórios contábeis:
- Aumenta o ativo total e o passivo total — mudando o perfil da empresa frente a instituições financeiras;
- Altera o EBITDA — já que os pagamentos deixam de ser contabilizados como despesa operacional;
- Exige adaptação de sistemas contábeis e fiscais, principalmente em empresas com alto volume de contratos;
- Demanda governança sobre contratos, prazos, taxas, indexadores e cláusulas específicas, como renovação automática.
Com tantas variáveis a considerar, tentar fazer esse controle manualmente é pedir para errar. A adoção de um sistema especializado na gestão da IFRS 16 é hoje um diferencial técnico e estratégico.
Vantagens da automação
- Registro automático de contratos e suas variações;
- Cálculo do valor presente e atualizações conforme indexadores;
- Depreciação e apropriação de juros conforme o cronograma do contrato;
- Geração de relatórios contábeis e fiscais compatíveis com auditorias.
Especialmente para empresas que utilizam SAP, contar com uma solução nativa integrada evita retrabalho, aumenta a segurança dos dados e garante a rastreabilidade de ponta a ponta.
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Chega de controle manual: transforme obrigações em vantagem estratégica
Com a IFRS 16 em vigor, não é mais opcional contabilizar os contratos corretamente — é uma exigência crítica. Empresas que se adaptam rápido não apenas evitam riscos, mas ganham eficiência, previsibilidade e transparência na gestão financeira.
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